Edilbert Pellegrini Nahn JuniorWilson Heidenfelder2026-08-272026-08-27https://repositorio.fmc-campos.com.br/handle/123456789/82Quando fui convidado a coordenar a edição do livro Vidas Presentes, foi inevitável lembrar de outra obra literária, lançada em 2020 pelo escritor campista Adriano Moura. Os Invisíveis (Editora Patuá) também aborda a invisibilidade de pessoas em situação de vulnerabilidade, por meio de contos inspirados na vida daqueles que experimentam a marginalidade das ruas, a miséria e o abandono afetivo. A literatura brasileira, em diferentes épocas, já deu voz a sujeitos frequentemente esquecidos pela sociedade, revelando a fome, a pobreza, o preconceito, o abandono e outras formas de exclusão. Obras marcantes como Vidas Secas (1938), de Graciliano Ramos; Clara dos Anjos (1948), de Lima Barreto; Quarto de Despejo (1960), de Carolina Maria de Jesus; e A Hora da Estrela (1977), de Clarice Lispector, expuseram, cada uma à sua maneira, vidas atravessadas pela vulnerabilidade, produzindo forte impacto social e humano. Vidas Presentes, entretanto, nasce de uma experiência distinta. Os textos aqui reunidos não foram escritos por mestres consagrados da literatura brasileira, nem têm a pretensão de assim se apresentar. São produções de estudantes de Medicina que, a partir da escuta e do encontro com pessoas em situação de rua, transformaram em linguagem literária suas impressões, inquietações e sensibilidades diante dos relatos de vida que lhes foram confiados. Mais do que falar sobre essas pessoas, os estudantes foram convidados a escutá-las e, a partir dessa experiência, refletir sobre histórias que muitas vezes permanecem à margem do olhar social. Nesse sentido, a força desta obra talvez esteja justamente no encontro entre universos que, à primeira vista, parecem distantes: a formação médica e a literatura. Ao colocar no papel aquilo que ouviram, perceberam e sentiram, esses futuros profissionais de saúde exercitam um olhar que ultrapassa sintomas, diagnósticos e doenças para reconhecer, antes de tudo, a pessoa, sua história, seus afetos, suas perdas e sua dignidade. Em Vidas Presentes, escrever torna-se tambémuma forma de escutar — e de tornar presente quem tantas vezes é tratado como invisível.ptVidas PresentesCrônicas de encontros que a cidade não quer verBook